segunda-feira, 25 de junho de 2007


Estava relendo Retrato do Artista Quando Coisa, de Manoel de Barros noutro dia e achei este poema:
"Pote Cru é meu Pastor. Ele me guiará.
Ele está comprometido de monge.
De tarde deambula no azedal entre torsos de cachorro, trampas, trapos, panos de regra, couros de rato ao podre, vísceras de piranhas, baratas albinas, dálias secas, vergalhos de lagartos, lingüetas de sapatos, aranhas dependuradas em gotas de orvalho etc etc.
Pote Cru, ele dormia nas ruínas de um convento.
Foi encontrado em osso.
Ele tinha uma voz de oratórios perdidos."
Por Adriana Daccache
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